quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Imagens do Impressionante Lake Effect de Buffalo/NY

A nevasca que atingiu o oeste do Estado de Nova York nos EUA (ou a região leste do Lado Erie) tem duas grandes motivações: ar congelante proveniente do Ártico Canadense e as águas "quentes" dos grandes lagos, especialmente os da porção sul como o Lago Erie. O ar muito frio em contato com a superfície mais aquecida do Lago faz com que haja transporte vertical de umidade da superfície do lago para a parte mais alta da atmosfera (entre 1500 e 3000 metros). Isso ocorre porque o ar mais quente sobe quando está em contato com o ar mais frio. Portanto, quanto maior for essa diferença de temperatura, maior é a velocidade com que estas nuvens se formam pela ascensão deste ar mais quente da superfície do lago. Isto forma nuvens carregadas de neve! Como nesta época do ano as águas do Lago Erie ainda não estão tão resfriadas (há 2 meses atrás ainda era verão na região), e como em novembro ainda não são esperadas ondas de frio tão fortes como essa que atinge a região, tivemos a oportunidade perfeita para o registro daquilo que os norte-americanos chamam de "Lake Effect".


A imagem acima é a tela da previsão do NCEP para hoje a noite no nordeste dos EUA. Infelizmente a imagem já está impactada por alguns dias de onda de frio sobre a região, mas ainda assim podemos notar a diferença de temperatura entre o lago Erie (com manchas azuis ao redor de +7C) e o que temos na cidade Buffalo/NY (na região em vermelho com temperaturas ao redor de -2C). A imagem em si não evidencia o Lake Effect (contraste entre a superfície do lago e a atmosfera congelada logo acima do mesmo), mas mostra como o Lago está "quente" perto de todo o resto.

Agora vamos aos fatos! No time-lapse abaixo temos na prática aquilo que acabei de descrever! Imagens do Lago Erie em time-lapse mostrando a evaporação de umidade de dentro do lago quando este entra em contato com o ar congelante. Olhem que interessante!

Clique aqui para assistir às imagens do Lake Effect

Não foi a toa que caiu quase 2 metros de neve sobre a região. Tivemos a combinação perfeita para a ocorrência dessa tempestade.

Falou!!

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Efeito Microclimático

Diferentemente do que tem ocorrido no Brasil, os Estados Unidos, especialmente sua faixa centro-leste, tem passado por um ano abaixo da média e frio. Não é diferente nesse novembro. Uma onda de frio digna de meados de janeiro, auge do inverno deles, impacta todo o centro o sul daquele país. A imagem abaixo mostra em graus farenheit como essa onda tem afetado a Flórida. O contraste entre o norte e o sul daquele Estado já é bastante interessante de se analisar, pois o gradiente térmico costuma ser bastante forte. O norte é pego em cheio pelas massas de ar frio de origem canadense, enquanto que o sul é ainda muito influenciado pelo Caribe quente.


Entretanto, o nível de detalhe da projeção de temperatura do modelo climático acima nos permite ver o impacto do lago Okeechobee sobre as terras logo ao sul do mesmo quando este recebe ventos frios de norte. Olhem que interessante a linha de ar menos frio exatamente ao sul deste lago. Isso ocorre pq este tem águas aquecidas e quando o ar gelado do norte passa por cima dele ocorre troca térmica entre a atmosfera e as águas do Okeechobee, esfriando o lago e esquentando o ar que segue para o sul!

Abraços a todos!

sábado, 1 de novembro de 2014

Previsão CFS Novembro/2014

Pela projeção do CFS para novembro/2014 há a possibilidade de termos algumas regiões do sul e do sudeste brasileiro com alguma anomalia negativa. Seria certamente algo atípico neste quente ano de 2014. Porém, por esta projeção o INMET de Porto Alegre continuará sua saga de anomalias positivas em relação à normal 1961/1990, pois a cor branca do mapa indica oscilação entre +0,25C e -0,25C sobre a normal 1981/2010, que é 0,5C mais quente para novembro que a normal anterior. 


Backtesting Outubro/2014

O modelo CFS mais uma vez mostrou um bom nível de acerto para mês de outubro em sua previsão feita na média de saídas ocorridas nos últimos 10 dias de setembro. Vejam que em linhas gerais ele anteviu uma Amazônia mais fria e um sul brasileiro mais quente.

Anomalia no Brasil em outubro/2014

Anomalia no Conesul em outubro/2014

Previsão CFS para outubro/2014

Fechamento Outubro/2014 em Porto Alegre

Ainda sem números oficiais, tudo indica que o mês fechou ao redor de 20,9C no INMET de Porto Alegre, o que configuraria uma anomalia de +1,6C, o décimo sexto mês seguido sem anomalias negativas na cidade! O mapa abaixo mostra a extensão destas anomalias no Conesul. 





Na série 1951/2014, este deverá ser o décimo outubro mais quente de Porto Alegre, atrás de 1977 (o mais quente de todos), 2001, 1967, 2012, 1961, 2002, 2007 e 1990.

O excesso de outubros de anomalias positivas no pós-2000 faz com que a semi-normal 1991/2014 para este mês na cidade tenha a média de 19,8C, o que seria uma alta de +0,5C em relação à normal anterior. 

Resumindo: as primaveras estão esquentando na cidade.